Oscar 2027: conheça os 6 filmes finalistas para representar o Brasil

A corrida brasileira pelo Oscar 2027 entrou em sua fase decisiva. Dos 15 longas-metragens inicialmente habilitados, apenas seis continuam na disputa para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional.

A Academia Brasileira de Cinema anunciou os finalistas em 9 de setembro de 2026. Agora, falta apenas uma decisão: no dia 16 de setembro, uma comissão escolherá o filme que será oficialmente enviado pelo país para tentar uma indicação ao Oscar.

E a seleção final reúne alguns dos filmes brasileiros que mais vêm chamando atenção em 2026. Há uma aventura baseada na trajetória de Amyr Klink, um documentário realizado com meninas do sertão do Piauí, histórias sobre infância, família e luto e produções que já passaram por festivais como Berlim, Gramado e Toronto.

Quais são os 6 filmes finalistas do Brasil para o Oscar 2027?

Os seis escolhidos pela Academia Brasileira de Cinema são:

1.⁠ ⁠100 Dias, de Carlos Saldanha
2.⁠ ⁠A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
3.⁠ ⁠A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo
4.⁠ ⁠Feito Pipa, de Allan Deberton
5.⁠ ⁠Nosso Segredo, de Grace Passô
6.⁠ ⁠Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins

Os seis foram selecionados a partir dos 15 filmes habilitados anunciados em agosto. Mas atenção: nenhum deles está indicado ao Oscar ainda. Eles disputam, neste momento, o direito de representar o Brasil no processo internacional da Academia de Hollywood.

Conheça cada um dos filmes.

100 Dias

Direção: Carlos Saldanha

Uma das produções de maior apelo popular entre os finalistas conta uma história que muitos brasileiros já conhecem. 100 Dias é inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, de Amyr Klink, e acompanha a histórica travessia realizada pelo navegador brasileiro em 1984. Klink partiu da costa africana e atravessou o Atlântico Sul sozinho em um pequeno barco a remo até chegar ao Brasil.

O longa é dirigido por Carlos Saldanha, cineasta brasileiro com uma carreira internacional consolidada e responsável por produções como Rio e filmes da franquia A Era do Gelo. No elenco estão Filipe Bragança, Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo e João Vitor Silva.

A história possui alguns elementos que podem funcionar bem internacionalmente: aventura, sobrevivência, natureza, determinação e uma trajetória real extraordinária. Ao mesmo tempo, leva ao cinema um personagem brasileiro conhecido por transformar exploração e aventura em parte de sua própria história de vida.

A Fabulosa Máquina do Tempo

Direção: Eliza Capai

Entre cinco obras de ficção, há um documentário na lista. A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, acompanha meninas do sertão do Piauí e utiliza a imaginação delas para estabelecer diálogos entre presente, passado e futuro.

A proposta parte das experiências das meninas e também das histórias de suas mães e avós para abordar questões como relações de gênero, casamento, religião e as possibilidades de futuro imaginadas por uma nova geração.

É um filme bastante diferente de 100 Dias, por exemplo. E essa diferença ajuda a revelar algo importante sobre a seleção brasileira deste ano: os seis finalistas não representam apenas diferentes gêneros cinematográficos. Eles também mostram diferentes territórios e maneiras de olhar para o Brasil.

A Natureza das Coisas Invisíveis

Direção: Rafaela Camelo

Duas meninas de dez anos se conhecem durante as férias em um hospital. É desse encontro que nasce A Natureza das Coisas Invisíveis, dirigido por Rafaela Camelo.

Glória passa parte das férias no hospital onde a mãe trabalha como enfermeira. Ali conhece Sofia, que acompanha a bisavó internada. A amizade entre as duas se desenvolve em meio a questões que os adultos muitas vezes tentam tornar menos dolorosas para as crianças.

A história passa então a discutir amizade, despedidas, amadurecimento, vida e morte a partir do olhar infantil. O longa também possui trajetória internacional: foi exibido na seção Generation Kplus do Festival de Berlim, dedicada especialmente a filmes relacionados aos universos da infância e juventude.

Mais uma vez, uma história profundamente ligada a experiências particulares consegue dialogar com questões universais.

Feito Pipa

Direção: Allan Deberton

Entre os seis finalistas, Feito Pipa chega à disputa com uma trajetória particularmente forte em festivais. O filme acompanha Gugu, um menino de quase 12 anos que vive no sertão do Ceará com a avó Dilma, uma professora aposentada que o criou de maneira livre e afetuosa.

Quando surge a possibilidade de passar a morar com o pai, Batista, Gugu precisa lidar com expectativas, afetos e conflitos que até então estavam distantes de sua rotina. No elenco estão Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos.

O filme já havia chamado atenção internacionalmente no Festival de Berlim, onde conquistou o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri na Generation Kplus. Depois, chegou ao Festival de Gramado 2026 e saiu de lá novamente fortalecido.

Feito Pipa conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, além de outros Kikitos e uma menção honrosa para Yuri Gomes. É justamente essa trajetória em festivais que faz com que o filme apareça naturalmente entre os títulos que despertam atenção na corrida brasileira.

Nosso Segredo

Direção: Grace Passô

Se Feito Pipa saiu fortalecido de Gramado, Nosso Segredo saiu ainda mais. O primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô acompanha uma família negra tentando reconstruir sua rotina depois de uma perda. Cada integrante reage ao luto de uma maneira diferente. Enquanto isso, o filho mais novo guarda um segredo capaz de obrigar a família a confrontar aquilo que tenta evitar.

O filme retoma temas que Grace já havia explorado no teatro e os transporta para uma construção cinematográfica marcada por diferentes percepções, sons e formas de experimentar a ausência. No Festival de Cinema de Gramado 2026, Nosso Segredo conquistou o Kikito de Melhor Filme, além de prêmios como Fotografia e Direção de Arte. Isso coloca uma produção mineira entre os seis filmes que podem representar o Brasil no Oscar.

E há ainda uma conexão especialmente interessante com Belo Horizonte: Grace Passô construiu parte fundamental de sua trajetória artística em Minas Gerais, transitando entre teatro, dramaturgia, atuação e cinema.

Vicentina Pede Desculpas

Direção: Gabriel Martins

Minas Gerais tem mais um representante na lista. E ele chega à corrida justamente enquanto ganha projeção internacional. Vicentina Pede Desculpas é o novo longa de Gabriel Martins, cineasta mineiro responsável por Marte Um — justamente o filme escolhido pelo Brasil para disputar uma vaga no Oscar em 2023.

A história se passa em Belo Horizonte. Vicentina, interpretada por Rejane Faria, é uma professora aposentada de 75 anos. Depois que um ônibus dirigido por seu filho sofre um grave acidente, deixando diversos passageiros mortos, surgem suspeitas de que ele teria provocado a tragédia. Vicentina decide então procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas. O percurso coloca a personagem diante de luto, culpa, julgamento e respostas que nem sempre correspondem àquilo que esperava encontrar.

O filme acaba de estrear internacionalmente no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), dentro da competitiva mostra Platform. Isso acrescenta um ingrediente bastante interessante à corrida brasileira.

Minas Gerais tem dois filmes entre os seis finalistas

A presença de Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas merece atenção especial. São dois filmes ligados à produção audiovisual mineira entre apenas seis finalistas nacionais.

Grace Passô e Gabriel Martins construíram trajetórias profundamente relacionadas à cena artística de Minas Gerais, mas chegaram ao cinema por caminhos diferentes. Grace transita entre teatro, dramaturgia, atuação e direção. Já Gabriel Martins é um dos nomes da Filmes de Plástico, produtora surgida em Contagem que ganhou projeção nacional e internacional com obras como Marte Um.

Agora, ambos aparecem simultaneamente na reta final da escolha brasileira para o Oscar. É um retrato interessante da força que a produção audiovisual mineira conquistou nos últimos anos.

Qual é o favorito para representar o Brasil no Oscar 2027?

É tentador tentar transformar a seleção em uma corrida com um favorito absoluto. Mas há bons argumentos para diferentes candidatos.

  • Feito Pipa possui reconhecimento internacional e premiações importantes em Berlim e Gramado.
  • Nosso Segredo acaba de conquistar o principal prêmio do Festival de Gramado.
  • Vicentina Pede Desculpas está ganhando exposição internacional em Toronto.
  • A Natureza das Coisas Invisíveis também passou por Berlim.
  • A Fabulosa Máquina do Tempo traz um documentário com uma narrativa fortemente brasileira.
  • E 100 Dias combina uma história real de apelo internacional com um diretor brasileiro de carreira consolidada em Hollywood.

Isso também explica por que a decisão não deve ser reduzida simplesmente à pergunta sobre qual filme é “melhor”. A escolha envolve definir qual produção representará estrategicamente o Brasil em uma corrida internacional extremamente competitiva.

Vicentina pode ter outro caminho para o Oscar?

Aqui aparece uma novidade importante nas regras do Oscar. Vicentina Pede Desculpas participa da Platform, mostra competitiva do Festival de Toronto. A imprensa especializada vem destacando que as novas regras da Academia criaram uma possibilidade adicional de qualificação para determinados filmes em língua não inglesa premiados em festivais internacionais reconhecidos.

Isso significa que a trajetória internacional dos filmes ganhou ainda mais importância. Mas é preciso separar essa possibilidade da seleção que está acontecendo agora. No dia 16 de setembro, a Academia Brasileira de Cinema escolherá um representante oficial do Brasil.

Como o Brasil escolhe seu filme para o Oscar?

A escolha nacional é apenas a primeira parte de um processo muito maior. A Academia Brasileira de Cinema organiza a seleção do longa que será submetido pelo país à categoria de Melhor Filme Internacional.

Neste ano, foram inicialmente habilitados 15 filmes. Em 9 de setembro, a comissão reduziu esse grupo aos seis finalistas. No dia 16 de setembro, haverá uma nova reunião para escolher apenas um. Esse filme será enviado como representante oficial brasileiro e, a partir daí, começa outra disputa.

O filme escolhido já estará indicado ao Oscar?

Não. Essa é provavelmente a dúvida mais importante sobre todo o processo. Ser escolhido pelo Brasil não significa receber uma indicação ao Oscar. Países de diferentes partes do mundo enviam seus representantes para a categoria de Melhor Filme Internacional.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas então realiza seu próprio processo de seleção até chegar aos filmes efetivamente indicados. Portanto, neste momento:

  • 6 filmes → disputam a representação brasileira.
  • Em 16 de setembro: 1 filme → torna-se o representante oficial do Brasil.
  • Depois: o representante brasileiro → disputa uma indicação com filmes de outros países.

Só mais adiante saberemos se a produção brasileira estará efetivamente entre os indicados ao Oscar.

O Brasil chega à disputa depois de anos históricos. A escolha de 2027 acontece em um momento muito diferente daquele vivido pelo cinema brasileiro poucos anos atrás. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar brasileiro de Melhor Filme Internacional. No ano seguinte, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, voltou a colocar o país entre os indicados da premiação.

Essa sequência naturalmente aumenta a atenção internacional sobre o próximo representante brasileiro. Mas também aumenta as expectativas. A pergunta deixa de ser apenas “qual filme o Brasil enviará?” e passa a incluir outra: o cinema brasileiro conseguirá manter essa sequência de destaque internacional?

Festivais podem fazer diferença na corrida pelo Oscar

Quando observamos os seis finalistas, uma característica aparece repetidamente: festivais de cinema; Berlim, Gramado, Toronto. Essa trajetória importa porque festivais funcionam como vitrines internacionais para filmes que ainda estão construindo sua reputação.

Críticos assistem às produções. Distribuidores descobrem novos títulos. Veículos internacionais começam a publicar críticas. Profissionais do setor passam a conhecer diretores e atores. E o filme começa a acumular uma narrativa própria antes mesmo de uma eventual campanha pelo Oscar.

Para o cinema brasileiro, isso é particularmente importante. Uma produção nacional não compete internacionalmente apenas pela qualidade artística. Ela também precisa ser vista.

Seis filmes, muitos Brasis

Talvez o aspecto mais interessante dessa seleção seja justamente aquilo que os filmes têm de diferente.

  • Há o Atlântico de Amyr Klink em 100 Dias.
  • O sertão piauiense de A Fabulosa Máquina do Tempo.
  • A infância e os espaços entre hospital e interior de Goiás em A Natureza das Coisas Invisíveis.
  • O Ceará de Feito Pipa.
  • A experiência familiar construída por Grace Passô em Nosso Segredo.
  • E Belo Horizonte em Vicentina Pede Desculpas.
  • São territórios, personagens e experiências diferentes.
  • E todos eles disputam a oportunidade de representar o mesmo país.

Isso diz bastante sobre a força da cultura brasileira. Não existe apenas uma história capaz de representar o Brasil.

Quando o Brasil escolherá seu representante para o Oscar 2027?

Agora falta muito pouco, a decisão será anunciada na próxima quarta-feira, 16 de setembro de 2026. Nesse dia, saberemos qual dos seis filmes seguirá oficialmente na corrida:

100 Dias
A Fabulosa Máquina do Tempo
A Natureza das Coisas Invisíveis
Feito Pipa
Nosso Segredo
Vicentina Pede Desculpas

Para os outros cinco, a trajetória não termina. Uma seleção para representar o país no Oscar já coloca essas produções sob os holofotes e pode ajudar a ampliar público, circulação, distribuição e interesse internacional.

Quando será o Oscar 2027?

A 99ª edição do Oscar será realizada em 14 de março de 2027. Até lá, haverá uma longa temporada de festivais, campanhas, listas preliminares e premiações internacionais. E o primeiro grande capítulo brasileiro dessa história será conhecido já em 16 de setembro.

Por que acompanhar essa disputa? Porque a corrida pelo Oscar pode funcionar como uma porta de entrada para algo muito maior. Talvez alguém descubra Feito Pipa porque ouviu falar de sua possível candidatura, depois assista a Nosso Segredo, descubra Grace Passô, conheça Gabriel Martins, procure Marte Um e, assim, assista a filmes brasileiros que jamais encontraria navegando casualmente por uma plataforma de streaming.

Premiações têm esse poder, elas chamam atenção. Mas o que fazemos com essa atenção é ainda mais importante. Se o interesse pelo Oscar ajudar mais brasileiros a conhecerem o próprio cinema, independentemente de qual filme chegar à cerimônia, já teremos um resultado cultural relevante.

Conclusão

A disputa brasileira pelo Oscar 2027 chegou à sua fase mais emocionante. Seis filmes permanecem na corrida, e cada um oferece uma maneira completamente diferente de apresentar o Brasil ao mundo.

  • 100 Dias transforma uma aventura real em cinema.
  • A Fabulosa Máquina do Tempo observa o futuro pelos olhos de meninas do sertão.
  • A Natureza das Coisas Invisíveis encontra grandes questões da vida no olhar de duas crianças.
  • Feito Pipa leva afetos e conflitos do sertão cearense para uma trajetória internacional premiada.
  • Nosso Segredo transforma luto, família e silêncio em uma experiência cinematográfica reconhecida em Gramado.
  • E Vicentina Pede Desculpas leva Belo Horizonte e o cinema mineiro à vitrine de Toronto.

No dia 16 de setembro, apenas um será escolhido para representar oficialmente o Brasil. Mas a lista dos seis finalistas já revela algo que nenhuma estatueta precisa confirmar: o cinema brasileiro vive um momento de extraordinária diversidade criativa.

Perguntas frequentes sobre o Brasil no Oscar 2027

Quais são os seis filmes finalistas do Brasil para o Oscar 2027?

São 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Feito Pipa, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas.

Quando será escolhido o representante brasileiro?

A Academia Brasileira de Cinema anunciará o escolhido em 16 de setembro de 2026.

Os seis filmes já estão indicados ao Oscar?

Não. Eles são finalistas da seleção brasileira. Apenas um será escolhido como representante oficial e ainda terá que passar pelo processo de seleção da Academia de Hollywood para conseguir uma indicação.

Qual filme brasileiro venceu o Festival de Gramado 2026?

Nosso Segredo, de Grace Passô, conquistou o Kikito de Melhor Filme. Feito Pipa venceu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular e recebeu outras premiações.

Há filmes mineiros entre os finalistas?

Sim. Nosso Segredo, de Grace Passô, e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, possuem forte ligação com Minas Gerais. Vicentina Pede Desculpas é ambientado em Belo Horizonte.

Quando será o Oscar 2027?

A cerimônia da 99ª edição está marcada para 14 de março de 2027.